sábado, 27 de julho de 2013



A Visão política em Aristóteles I



A Visão política em Aristóteles II




A Natureza Humana e a Política em Aristóteles

Aristóteles analisa o Estado como uma finalidade a ser desenvolvida pelo ser humano. Faz uma análise da sociedade utilizando-se do método analítico, onde considera que o todo é sempre mais importante que a parte. O todo para Aristóteles quando analisa a sociedade civil é o Estado e as partes são a família, as pequenas comunidades e finalmente o indivíduo.
O filósofo acredita que todo ser tem uma potencialidade natural a ser desenvolvida, ou seja,  uma finalidade a ser alcançada_ e a existência de todo o ser só tem sentido no desenvolvimento dessa finalidade. Se analisarmos uma árvore ela tem sua finalidade natural, se observarmos a semente ela tem uma finalidade natural, a qual está na sua essência, nasce com ela, que é a de se transformar em árvore e assim por diante. Quando falamos do indivíduo segundo Aristóteles, falamos de um indivíduo que é considerado na sua essência, na sua natureza como um ser que deve desenvolver sua finalidade, a  qual é desenvolver a política, a sociedade, o Estado. Um dos pensamentos de Aristóteles que reflete bem essa ideia é encontrado no seu livro A Política: “O homem é um animal social e político”. Isso significa dizer que o homem tem por essência o desenvolvimento natural da sociedade, e não por convenção como muitos outros filósofos acreditam.
Em conformidade com Aristóteles a natureza humana tem por fim; ou seja, por objetivo desenvolver o Estado e quando o indivíduo não desenvolve sua natureza social destoa de sua essência, logo, segundo o filósofo:
[...] é evidente que o Estado é uma criação da natureza e que o homem é, por natureza, um animal político. E aquele que por natureza, e não por mero acidente, não tem cidade, nem Estado, ou é muito mau ou muito bom, ou sub-humano ou super-humano. [...] mas aquele que for incapaz de viver em sociedade, ou que não tiver necessidade disso por não ser autossuficiente, será uma besta ou um Deus, não uma parte do Estado. (ARISTÓTELES, Política, p. 146-147). 

A importância da Linguagem

O motivo pelo qual Aristóteles considera que o homem é um animal social por natureza é a linguagem, pois é a mesma que nos difere dos demais seres dentro da natureza: “a natureza como se afirma frequentemente não faz nada em vão, e o homem é o único animal que tem o dom da palavra”. (ARISTÓTELES, Política, p. 146). A linguagem é o que garante ao homem ter o senso do bem e da justiça, sendo os mesmos os princípios fundamentais do Estado.
Como para Aristóteles tudo tem uma finalidade, logo, o fim ou a finalidade do Estado é promover o bem e a justiça, de maneira a promover a felicidade de todos, é claro que devemos atentar que quando Aristóteles se refere ao termo felicidade, o mesmo não tem o mesmo significado que damos na atualidade, para o filósofo felicidade está relacionada às três funções de nossa alma, as quais devem estar em harmonia e equilíbrio, lembrando ainda que para o mesmo o bem e a justiça os quais geram felicidade devem primeiramente atender o todo que é o Estado para depois poder ser estendido a todos, pois o todo é sempre mais importante que a parte do ponto de vista do seu método analítico.

A herança Platônica

Explicando de forma diferente, mas não destoando totalmente de seu mestre Platão, Aristóteles também concebia a natureza humana com diferenças nas habilidades, as quais deveriam ser desenvolvidas dentro da sociedade. Essas diferenças segundo o mesmo difere um chefe de Estado de um escravo, observe:
Por isso, aquele que pode antever, pela inteligência, as coisas, é senhor e mestre por natureza; e a aquele que com força do corpo é capaz de executá-las é por natureza escravo. Portanto, entre senhor e escravo existem interesses em comum. (ARISTÓTELES, Política, p. 144).
Percebam que da mesma forma que Platão, Aristóteles concebe importância na relação de concordância entre os membros do Estado, ou seja, cada qual no desenvolvimento de sua função desenvolve uma finalidade maior que é o bem do todo, que é o Estado. No entanto cada indivíduo tem com o outro uma relação de interdependência.

O método analítico

Aristóteles inicia suas meditações políticas a partir da analise das partes que compõem o Estado, ou seja, as pequenas comunidades, a família, o indivíduo etc. Logo se não nos atentarmos temos a falsa consciência de que o mesmo se utiliza do método indutivo, porém quando nos atentamos a leitura. Podemos perceber que o método utilizado por Aristóteles é dedutivo (analítico), pois deixa bem claro que a finalidade de todo indivíduo e dos pequenos grupos sociais é o Estado, logo todas as partes funcionam objetivando um fim, o qual está presente por natureza em todos os indivíduos, que funcionam em prol do todo.

A Justificativa da escravidão

Em concordância co Aristóteles os homens diferem em nível racional e força física, portanto, uns devem ser utilizados para o trabalho e escravo sob a direção de outros mais inteligentes, mais desenvolvidos racionalmente, e logo, os mais desenvolvidos racionalmente devem estar no comando dos que são mais providos de força física e de pouca inteligência. Os que comandam têm por natureza o comando, os que servem têm por natureza a subserviência, logo, para Aristóteles é justa a posição que cada um tem dentro do Estado, observe:
A natureza distinguiu os corpos dos escravos e do senhor, fazendo o primeiro forte para o trabalho servil e o segundo esguio e, se bem que inútil para o trabalho físico, útil para a vida política e para as artes, quanto na guerra, quanto na paz. Contudo o contrário muitas vezes acontece_ isto é, que muitos tenham a alma e outros tenham o corpo dos homens livres. E sem dúvida, se os homens diferem uns dos outros na mera forma de seus corpos, tanto quanto as estátuas dos deuses diferem dos homens, tudo indica que as classes inferiores devem ser escravas das superiores. (ARISTÓTELES, Política, p.151).
Porém Aristóteles defende a escravidão por natureza e não por convenção. A escravidão por convenção pode se dar segundo o filósofo numa situação de guerra, onde o vencedor munido da força física escraviza o perdedor. Esse tipo de escravidão é contrário à visão aristotélica, pois vai contra a natureza do ser, e toda condição humana segundo Aristóteles deve ser justificada pela sua natureza, observe:
[...], além disso, ninguém poderia usar a palavra escravo apropriadamente para quem fosse indigno de sê-lo. Senão encontraríamos, entre os escravos e seus descendentes, até mesmo homens de berço nobre, caso um deles fosse capturado e vencido. (ARISTÓTELES, Política, p. 152).

Referência Bibliográfica.

ARISTÓTELES, Os Pensadores, ed: nova cultural,são Paulo 1999.



A Visão política em Aristóteles III
(Orientações para exercícios)





QUESTÕES PARA REFLEXÃO: Política na Visão de Aristóteles

Nome da Escola.........................................................................................................................
 Aluno(a).................................................................................................nº....série....turma......
Data...../...../.....
OBS: Cada questão será avaliada de 0 à 2 pontos.

1.Explique porque de acordo com Aristóteles o todo é sempre mais importante que a parte dentro de seu método analítico de política? Você considera a Democracia uma forma de prática política, onde pode ser aplicado o método analítico? Pesquise o real significado de democracia, os conceitos que a mesma considera antes de fazer sua reflexão.
2.Qual a abrangência da importância da linguagem para os seres humanos? Aristóteles está correto quando afirma que “o homem é o único que tem o dom da palavra” e por isso possuidor do senso do bem e da justiça, princípios fundamentais do Estado? Justifique.
3.A promoção do bem e da justiça dentro do contexto do Estado segundo Aristóteles está atrelado ao conceito de felicidade. Você concorda que o termo felicidade desenvolvido por Aristóteles está correto quando se trata do Estado? Justifique sua resposta.
4.Aristóteles justifica a escravidão por natureza, a condição inferior da mulher por natureza e também a condição do senhor, ou seja, daquele que deve administrar os demais, deixando clara uma visão preconceituosa de cada uma das partes citadas. No que segundo o seu ponto de vista a visão platônica de justa-desigualdade pode ser mais “democrática”?
5.Explique o que é segundo Aristóteles escravidão por natureza e por convenção.
OBS:Cada questão de( 1 à 4) deve constar de um mínimo de 20 linhas, sendo importante a sua reflexão em cada uma delas. Na questão( 5) limite-se ao texto.

RESPOSTAS:

1)__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

2)___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
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3)__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

4)__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
5)____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

BOA REFLEXÃO!!!!

sábado, 29 de junho de 2013



Marx segundo o professor Paulo Dinis.


Estado e religião

A definição de classe social, tal como vemos, hoje, é segundo a ótica de Marx. Ele separava as classes pelo seguinte aspecto: a relação dos donos do capital e os vendedores de força de trabalho, que é o patrão e o proletariado. Em nossa sociedade, as demais classes, independente da situação econômica, partilham de um mesmo objetivo corriqueiro: lucrar.

Essa ideia é a raiz do capitalismo, a oferta e a procura, que geram a concorrência, promovendo a liberdade econômica de escolha, mas que tudo ao final se resume em ganhar dinheiro para o gozo do consumo dos diversos bens materiais, lazer e etc. Os que têm mais recursos são considerados como classe dominante, devido não só à influência, mas ao poder dado ao dinheiro. Já os que possuem menos são a classe dominada, grosso modo, os engrenagens dessa máquina chamada de capitalismo.

De acordo com a história e os preceitos de Karl Marx e Friedrich Engels, a origem da humanidade está fundamentada tão somente na luta de classes. Tal luta se deu no decorrer dessa linha do tempo, em que os burgueses oprimiam os proletariados. Quando surgiu a ideia de propriedade privada e dos meios de produção, a sociedade começou a ser desmembrada em classes, que foram as duas já mencionadas anteriormente. Dessa forma, o capitalismo está ligado diretamente com as classes sociais. 

A divisão de classes sociais na sociedade, segundo Marx, só acabará quando o capitalismo for extinto do sistema político-econômico da organização social. Antigamente, nas sociedades mais primitivas, não havia a hierarquização da sociedade, que permite a divisão da mesma em classes; entretanto, todas as pessoas participavam do processo de produção. Com isso, não havia quem oprimisse, ou seja, não havia exploração de força de trabalho. 

No entanto, a demanda se excedeu, e então, abriu brecha para o início do jogo político. O excedente formou um grupo mais forte, uma minoria, que exerceria poder sobre os, diga-se, mais fracos. Então, criaram-se barreiras, grosso modo, muros sociais, em que se separavam duas classes, por tarefas sociais – assim chamados por Marx e Engels. Formou-se uma sociedade dicotômica: a classe dos senhores e dos trabalhadores.

É visível que a ideia antiga, abordada pela perspectiva de Marx, em nada muda dos tempos atuais. Ainda hoje, existem as diferenças, quanto à ocupação e em relação à distinção de rendas. Essas, são classificadas como camadas que, na verdade, são classes sociais. 

As grandes revoluções dos trabalhadores, a Revolução Industrial e a Revolução Francesa, traduzem a questão da luta de classes, consideradas a engrenagem do sistema capitalista. Não há como separar o conceito de capitalismo da expressão “classe social”, uma vez que são definições que se completam. 

Marx, ao perceber que a sociedade mudou, desde que foi implementado o capitalismo como sistema político-econômico, decidiu pensar num sistema totalmente igualitário e oposto ao capitalismo. Em primeiro lugar, Karl Marx, em sua ideologia, decidiu que não haveria mais divisões em classes por nenhum motivo. Nem de renda, riqueza, educação, cultura, rede social ou outras que podem surgir numa sociedade. 

O sonho da sociedade sem classes sociais materializou-se por meio da tentativa de inserir o comunismo no mundo.  Entretanto, a maioria dos países seguiu a política capitalista. Nem a própria União Soviética, tida como símbolo mor e potência comunista, resistiu. O país estava caminhando para a ruína. Enfim, não deu muito certo por lá.

Karl Marx acreditava que a solução para os problemas da sociedade seria o poder ao povo, a classe trabalhadora, que é quem move e produz riqueza para o estado. De fato, pode ser uma saída, mas o comunista não deixou escritos de forma detalhada a sua forma de pensamento – o funcionamento do comunismo como sistema econômico. A forma de economia foi adotada por alguns países, que mudaram regras do sistema e adaptaram ao nação. 

Anarquismo

Uma das vertentes do socialismo e enraizada em ideias iluministas, o anarquismo surgiu entre os séculos XIX e XX. O nome significa “sem governantes”. A abdicação ao estado e sua divisão, características provenientes do capitalismo,  não pode ser confundida com o conceito de desordem. Os anarquistas pretendiam ver uma sociedade em que o povo tivesse o controle e não uma minoria como no capitalismo. O que foge desses padrões políticos e se assemelha à desordem é chamado de anomia. 

Socialismo

chinaO socialismo, segundo Friedrich Engels, um dos fundadores dessa teoria, apoia a criação de uma sociedade permissível à aplicação de tecnologias modernas para racionalizar a atividade econômica. Do ponto de vista sociológico, ela se diverge do capitalismo, pois é contra a divisão de classes, alimentando a propriedade coletiva dos meios de produção, inclusos terra e capital. 

Na política, é um sistema de organização que se baseia no coletivismo e, com isso, acredita na solução dos problemas apresentados pelo capitalismo, que promove as desigualdades, como: má distribuição de renda, violência e outros. 

Na perspectiva religiosa, o socialismo cristão, como foi chamado, tem como doutrina o espírito de caridade cristã para a solução dos problemas da sociedade. A humildade pregada serviria de consenso entre os patrões e empregados. Dessa forma, acreditava-se na vivência harmônica entre as classes. 

O socialismo de Estado defende a iniciativa do Estado na resolução das questões dos problemas sociais. 

Hoje, após a devastação do comunismo pelos Estados Unidos e companhia, poucos países mantêm a forma de economia: Cuba, Coreia do Norte e Myiamar. A China adotou o capitalismo em suas negociações e acordos, na política econômica; porém, a lei é fundamentada nos ideais marxistas. Enfim, a sociedade continua dividida por esse conceito complexo de classes sociais.